Lotus Elan S/E Coupe 1965 by AUTOart



O Lotus Elan foi apresentado no British Motorshow, em Outubro de 1962. A versão originalmente apresentada tratava-se de um roadster, tendo sido apresentada uma versão hardtop em 1963 e um coupé em 1965.


A Jaguar tinha apresentado no ano anterior o E-Type, bem como a AC tinha apresentado o Cobra e a Ferrari o GTO, todos carros potentes e dispendiosos. O Elan era diferente, tipicamente um Lotus, moderno, leve, veloz e divertido.


O Lotus Elan de dois lugares veio substituir o elegante, mas pouco fiável e dispendioso Lotus Elite. Foi o primeiro roadcar da Lotus a utilizar o chassis estruturado em aço, uma tecnologia que perdurou até 1995 em todos os Lotus, Europa, Excel e o Esprit inclusive. Com apenas 680kg, o Elan reflectia o design de mínimo peso idealizado por Chapman. 


De início o Elan foi também disponibilizado em kit a ser montado pelo cliente. Contudo, kit não seria a melhor descrição para estes carros que facilmente poderiam ser montados num fim-de-semana, já que apenas alguns elementos tinham de ser montados pelo cliente.
O Elan era tecnologicamente avançado, tinha um motor DOHC de 1557cc, travões de disco às quatro rodas, direcção de pinhão e cremalheira e suspensão independente às quatro rodas. O carro tinha um equipamento de luxo, raro na época, incluindo vidros eléctricos, tapetes, aquecimento, tablier em madeira e contudo, era leve o suficiente para superar os seus concorrentes.


Espelhando as mudanças no estilo de vida do seu fundador Colin Chapman, Elan+2 foi lançado em 1967 tendo este dois lugares atrás. Estes dois lugares eram apertados, não sendo contudo despropositados, acomodavam perfeitamente a família em crescimento de Colin. Afinal, um patrão de uma marca tem de poder utilizar os automóveis que produz! 

Com uma distância entre eixos maior e mais dois lugares, o Elan+2 incorporava o espírito Lotus: era um coupé desportivo, rápido e ágil. Combinava a performance e fiabilidade do Elan Coupé com o conforto de um 2+2.   


A produção do Elan cessou em 1973 e do Elan+2 em 1975, sucedidos pelo Elite II e Lotus Eclat. No total foram construídos 17.392 Elan e Elan+2. Devido ao seu design bem sucessedido e especial atenção aos custos de produção de carroceria, chassis, motor e transmissão, o Elan tornou-se o primeiro sucesso comercial da Lotus, reanimando uma companhia que vivia da produção do mais exótico e dispendioso Lotus Elite, permitindo o financiamento da carreira de sucesso da Lotus no mundo desportivo durante os dez anos seguintes.

O Elan é muitas vezes referido como sendo a fonte de inspiração para o bem sucedido Mazda MX-5 de 1989. Dois Elan foram minuciosamente desmontados e estudados no processo de concepção do MX-5. O Elan é também o pai do Lotus Elise, uma referência no line-up da Lotus desde 1996 que já vai na terceira geração.


No início dos anos 60, o jornalista LKJ Setright descreveu poeticamente o Elan da seguinte forma: ”O resultado global poderá não cativar aqueles que avaliam um carro pelo fechar da porta, pela qualidade dos estofos ou pela profundidade da pintura. Mas para aqueles que cujo conhecimento e experiência automóvel são mais profundos, o Lotus é tanto uma máquina para conduzir como uma casa por Le Corbusier é uma máquina para viver.” 

Mais de cinquenta anos passaram e as linhas do Lotus Elan não se tornaram ultrapassadas.



Por Richard Hammond:

“Eu não creio que alguém compreenda o conceito de “petite” no meio automóvel sem que tenha estado ao lado de um Lotus Elan. É uma dançarina de ballet com rodas. E com pureza e simplicidade de estilo leva-nos a uma grande questão: quão confortável se sentiria num desportivo ao qual foi retirada a agressividade do “macho man”. Ao que parece, fiquei muito satisfeito. Com algo tão distante de um carro potente como um microscópio de electrões está e um martelo, isto acabou por ser surpreendente. 

O Elan custava £1.499, sendo possível poupar umas centenas de libras se o cliente estivesse disponível para montar o carro em casa. Todas as versões utilizavam o agora famoso chassis estruturado em aço. Este proporcionava uma boa condução mas os ocupantes sentavam-se fora da sua zona de protecção, o que significava que a única entre estes e por exemplo, um enorme camião, era a carroceria em fibra-de-vidro. Portanto, sentarmo-nos dentro de uma coisa destas é a mesma coisa que vestir um fato de papel para andar à porrada...

A vantagem, logicamente, está no peso. Muito leve de facto, situando-se nuns meros 688kg.

Mas antes de experimentar os efeitos desta famosa magreza, inalei aquele que será provavelmente o melhor aroma automóvel que alguma vez experimentei. A essência do Elan deveria ter lugar entre o sândalo, a menta, o pinho e o whisky como os melhores aromas à disposição dos parfumiers.

O motor é o famoso quatro cilindros, 1600cc twin-cam, da Ford. Apenas 105cv a propulsionam as rodas traseiras, mas afinal (como já terão interiorizado por esta altura) o S3 é muito, muito leve e consequentemente, proporciona uma experiência única de condução. A ausência de peso e volume torna cada manobra, cada curva, cada mudança de direcção ou velocidade, num saltinho divertido. Livre de grandes efeitos de inercia ou estonteantes impulsos de potência, pode travar e virar com uma facilidade que não experimentei em nenhum outro carro se não no Lamborghini Sesto Elemento que custa 3 milhões de libras.

Entro numa curva rápida, contra o que faria sentido, os pequenos e finos pneus aguentam-se bem nas jantes. Tudo se conjuga e como resultado, conseguimos sentir todas as partes do processo, desde travar a curvar, da melhor forma possível: através dos pés nos pedais e através dos dedos ao tocar o fino e delicado volante de madeira. Isto é material “old-school”.

A simplicidade do conjunto também se faz sentir de formas menos maravilhosas: passamos numa lomba a meio de uma curva e a suspensão antiquada leva o seu tempo a estabilizar, mesmo assim apenas tem de lidar com peso de um envelope cheio de folhas. Uma vez estabilizado, o pequeno quatro cilindros ruge e rosna de forma suficientemente ameaçadora para deixar claras as suas intenções, e com o longo e estreito capot à nossa frente, lembramo-nos que este é um, embora pequeno e esguio, automóvel desportivo.

Mas, sendo uma bailarina ou não, o Elan dá-se bem com uma condução agressiva. De facto sua pequenez e pureza apenas potenciam o prazer que se obtém quando se leva o Elan ao limite. Nunca fiz luta na lama com uma freira, mas imagino que a sensação seja muito próxima aquela que experimentamos ao testar os limites de um Elan S3 na pista.” 


Informação Técnica
Motor

Cilindrada (cc): 1558
Potência máxima (cv/rpm): 117/6000
Binário máximo (Nm/rpm): 147/4000
Nº Cilindros: 4
Válvulas por cilindro: 2

Prestações
Velocidade máxima (km/h): 190
0-100 km/h (s): 7.6

Transmissão
Tipo: T
Caixa: 4M

Dimensões
Comp./Larg. (mm): 3689/1422
Distância entre eixos (mm): 2134
Peso (kg): 696



Modelo 1:18

Esta é uma excelente peça da AUTOart. O modelo tem um molde impecável e a carroçaria exibe uma optima pintura naquela que para mim é a melhor cor para o automóvel em análise. Tem também uns interiores bem detalhados, com um lindo tablier em madeira, jantes muito fiéis ao original, sendo que apenas a nível do motor se encontra espaço para mais algum detalhe. Os faróis escamuteaveis funcionais são um agradável extra.
No conjunto, esta miniatura tem um excelente nível de construção representando de forma muito satisfatória o modelo original.
























































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